Desde os anos 90, cada vez mais países estudam e reconhecem o valor medicinal da Cannabis sativa. Embora nenhum deles a trate como um medicamento comum, alguns já tem regras para garantir o acesso de pacientes à erva.

Israel

O Ministério da Saúde mantém um programa de cannabis medicinal que em 2013 fornecia maconha in natura para cerca de 13 mil pacientes. A droga é cultivada por uma empresa criada pelo governo para atender ao programa. A solicitação deve ser feita via fax ou e-mail pelo médico do paciente e é avaliada por um dos 31 médicos que fazem a triagem dos casos. Os pedidos devem ser respondidos em até 48 horas, no caso de pacientes terminais, eem até 2 semanas, no de pacientes de câncer em quimioterapia.

Canadá

Em 2001, por determinação da Justiça, o país criou o primeiro programa federal de maconha medicinal do mundo. O Regulamento de Acesso à Maconha Medicinal permitia que pessoas com indicação médica e cadastro no programa pudessem comprar a erva do governo ou cultivá-la. A partir de março de 2014, uma nova regulamentação determina que os pacientes com prescrição médica comprem maconha diretamente nos produtores licenciados pelo governo. No início de 2013, o Canadá tinha 28 mil pacientes com autorização para usar cannabis medicinal.

EUA

Um plebiscito realizado na Califórnia aprovou, em 1996, uma lei que regula o uso medicinal de maconha e de produtos derivados. Atualmente, outros 22 estados e o Distrito Federal têm leis semelhantes. Na maioria dos estados, o paciente que tem a indicação de um médico para o uso terapêutico de Cannabis pode portar, plantar ou comprar a erva em lojas que funcionam como cooperativas. Apesar de a lei dos EUA considerar crime qualquer uso de maconha, as autoridades federais respeitam as leis estaduais sobre o tema.

Holanda

O país criou em 2011 um Escritório de Cannabis Medicinal para organizar a cadeia produtiva da droga para uso terapêutico e científico. Apenas uma empresa tem autorização do governo para produzir maconha medicinal para o governo, com um rígido controle de qualidade. Ela fornece quatro variedades, cada uma indicada para um tipode doença. Todos os tipos podem ser comprados em farmácias comuns, com prescrição médica. Os cerca de 10 mil pacientes medicinais do país podem pedir reembolso do plano de saúde pelos gastos com a droga.

Outros países

Áustria, Bélgica, Finlândia e República Tcheca também possuem leis que, teoricamente, permitem o acesso à maconha medicinal. Na prática, no entanto, elas são muito restritivas e ajudam pouquíssimas pessoas em cada país. Em 2014, o Uruguai também regulamentou o uso de cannabis medicinal, mas o programa ainda está em seus primeiros passos.

E o Brasil?

Apesar de qualquer produto extraído da Cannabis sativa ser proscrito, a lei brasileira de drogas permite seu uso com fins medicinais. Esse direito, no entanto, ainda não é regulado pela Anvisa, responsável por esse controle.